A era das startups
By Bruno Fioravante

A ERA DAS STARTUPS 

Toda startup nasce de uma ideia, de uma premissa e de uma necessidade. Uma carência do mercado, a aposta em um novo comportamento, uma nova forma de prestar um serviço ou vender um produto. É através destas características que empresas estão investindo em inovação e em novas tecnologias para aperfeiçoar-se e torna-se competitiva no mercado. Muito bem-vindo, estamos na era das startups. Veremos abaixo um rol, não exaustivo, de diversos pontos que uma startup necessita para se consolidar no mercado. 


Há diferença entre uma startup e uma empresa convencional? 

Existem diversos conceitos ou definições, tanto teóricas como dos próprios ecossistemas a respeito das startups, no entanto, podemos considerar, de forma didática, que uma startup é uma empresa que procura oferecer alguma solução, detém uma proposta inovadora, oferece um serviço ou facilidade até então inédita, possui um modelo de negócio escalável, sua base é voltada para a tecnologia e com potencialidade de se transformar em negócio. Uma empresa convencional ela é diferenciada por conta dos seus objetivos principais, ou seja, essas empresas são guiadas pelas imagens de rentabilidade e valor estável a longo prazo. Um fator preponderante que diferencia uma startup de uma empresa convencional é que as startups estão focadas nas receitas para seu financiamento e no potencial de crescimento. Além disso, o termo disruptivo geralmente está conectado as startups, pois estão ligadas a inovações tecnológicas, capazes de romper com a forma pela qual determinado nicho de mercado se relacionava antes do surgimento do produto e/ou serviço oferecido por uma startup. Válido considerar que startup não é uma categoria de empresa, mas sim um estágio de desenvolvimento de uma empresa. 


O mercado das startups está favorável aos empreendedores? 

Em tempos de crise, empresas que oferecerem novas ferramentas e facilidades inéditas terão campo aberto para atuarem. Um dado importante para esse cenário é que a perspectiva para o ano de 2018 é positiva e possivelmente ultrapassará a casa dos R$ 2,86 bilhões em investimento, valor este conquistado em 2017. Os dados são de um estudo realizado pela LAVCA (Associação latino-americana de fundos de capital de risco. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/investimento-em-startups-brasileiras-bate-recorde-em-2017.shtml). As empresas de serviços, comércio, indústria e agronegócio são os seguimentos que mais investiram em 2017 e para o corrente ano não será diferente. A aposta de investimento para 2018, sem contar os já citados, são para empresas cujo seguimento é alimentação alternativa, cosméticos, desenvolvimentos de apps, infoprodutos e realidade virtual. Para isso as startups devem estar alicerçadas e engajadas e preparadas para quando surgir a demanda, estejam prontas para escalar o seu modelo de negócio ao seguimento pretendido pelo investidor. 


Por onde começar? 

O pensamento inicial é que os empreendedores tenham suas bases estruturadas, alicerçadas, inclusive tenham em mente que é de extra importância um plano de negócio bem formatado, saber que os instrumentos jurídicos como memorando de entendimentos, contrato social, acordo de sócios e de confidencialidades, instrumento de opção de venda ou compra de quotas, vesting, termos de uso, política de privacidade, dentre outros são essenciais, procurar por mentores e orientadores através de aceleradoras ou incubadoras, também são recursos importantes e devem ser usados por uma startup, pois somando todos esses fatores, tais atitudes possibilitará que o modelo de negócio seja escalável. 

O empreendedor deve buscar e saber que a capacitação é importante, ser disruptivo, executar, saber fazer a prototipação, que errar as vezes fortalecerá seu modelo de negócio, validar, pivotar, saber fazer networking, saber vender sua ideia de forma simples e objetiva através de um bom pich, participar de eventos do seguimento, estar acessível e com as portas aberta, compartilhar ideias e conhecimentos, inclusive saber navegar na atual crise, são ferramentas e requisitos obrigatórios para ter o seu modelo de negócio pronto para tomar rumos inovadores. 


Qual a maior dificuldade em começar uma startup? 

Dificuldades como descobrir o modelo de negócio inovador é um dos temas mais corriqueiros para quem quer começar uma startup. Montar uma equipe, criar um produto e/ou serviço inovador, fazer marketing, criar aspectos pessoais e ter gestão de negócios, também são os pontos que mais geram dificuldades entre os empreendedores. Muitas das vezes modelos de negócios com aspecto escalável geralmente necessitam ter uma equipe altamente engajada, inclusive uma equipe multidisciplinar, razão pela qual torna-se tão difícil o começar de uma startup. 


Como empreender nesse ramo?  

Obtendo o empreendedor uma ideia inovadora, uma possibilidade real de escalar o seu produto ou serviço, dentre outros já citados, a chance do seu modelo de negócio ser escalável é realmente muito grande. Existem investidores para todas as fases de desenvolvimento das startups, porém as pesquisas comprovam que esses investidores optam em realizar investimentos em startups mais consolidadas. Para isso é de suma importância que se tenha cautela, desde a formatação da ideia embrionária até a possibilidade real de escalar o seu negócio. Participar de aceleradoras e incubadoras, estabelecer uma rede de contatos/networking, são fatores que contribuem para que o seu modelo de negócio se fortaleça. Não procure investidores somente pelo fator financeiro, busque através desses investidores oportunidades de negócio, inclusive mentores ou profissionais altamente gabaritados, com intuito de adquirir “know-how” para o modelo de negócio criado. Não impor dificuldades com seus investidores, demonstrar falta de comprometimento e não fornecer uma devolutiva a quem está investindo no seu modelo de negócio, são características que devem ser evitadas pelos empreendedores. Por mais que a startup esteja em seu estágio inicial, aspectos administrativos, jurídicos, societários, dentre outros, devem ser encarados pelo empreendedor como investimentos. E não mais importante, tenha paixão, persistência e paciência pelo seu modelo de negócio. 


Ao empreendedor desejo que tenha sempre em mente que o começar é o exercício de desenvolver uma instituição e saber administra-la; defina o futuro dos seus setores e estarão preparados para assumir riscos ousados em busca de soluções novas e inovadoras para os problemas que enfrentarão; aprenda acerca dos elementos da estratégia para se saber o que de fato os clientes desejam e, por fim e não menos importante, experimente, pense grande, porém comece pequeno. Lembre-se que o experimento é o seu produto ou serviço. Não utilize a expressão “just do it” (simplesmente faça) como base do seu negócio. 


Autor:

Bruno Fioravante é advogado especialista em Startups e em Direito Empresarial. Sócio no Pigão, Ferrão e Fioravante Sociedade de Advogados. Possui experiência no âmbito consultivo e contencioso, tendo advogado para grandes empresas brasileiras e internacionais.